Bionic Commando: O braço mais forte

Os mais novos não se recordam, mas “Bionic Commando” não é um título que nasce na geração das novas consolas. O jogo já tem mais de 20 anos e surgiu no saudoso sistema “Nintendo”, uma consola ancestral da actual Wii. Na época, o jogo tornou-se um clássico, pela jogabilidade e carisma do herói. Demorou algum tempo até a Capcom, produtora do jogo, recuperar o título, mas valeu a pena. Já o ano passado, tinha surgido para download um remake do jogo original, intitulado “Bionic Commando Rearmed”. Agora, chega finalmente a continuação, com o mesmo nome do original, ou seja, “Bionic Commando”.

Nathan Spencer (com a voz de Mike Patton, antigo vocalista dos Faith No More), regressa passados dez anos dos acontecimentos iniciais. Contudo, é condenado à morte por crimes que não cometeu e traído por aqueles que serviu fielmente. No dia em que vai ser executado, uma explosão nuclear destrói Ascension City, sem se conhecer os reais motivos e quem fez o ataque. Para lidar com esta situação, as autoridades só podem recorrer a Nathan Spencer para salvar a cidade.

O protagonista do braço mecânico mantém o poder do braço, pois é capaz de agarrar e lançar um automóvel contra os inimigos. É através dele que se desloca pela cidade, qual Tarzan, utilizando o braço para se balançar entre os prédios. Numa espécie de introdução aos novatos do jogo, Nathan começa sem o braço e sem grandes habilidades. O jogador terá de colocar o braço e começar a adaptar-se, lentamente, aos movimentos e habilidades que ele lhe proporciona. Existe um grau de aprendizagem ao longo de toda a acção que vai subindo, conferindo maior interesse e emotividade à medida que história se desenvolve. Destaque para a forma como Nathan utiliza o braço com um chicote, ao estilo de Indiana Jones.

O desenvolvimento do jogo é bastante simples. Nathan apenas se dedica a combater, utilizando o braço que poderá conter um arsenal de invejar. Como resultado, para além das armas e da força, pouco ou nada poderá deter este soldado biónico. Falta talvez um pouco mais de densidade às missões, pois os objectivos são demasiados parcos em novidades e limitam-se a informar Nathan que terá de eliminar um determinado número de inimigos ou um alvo. Contudo, ao completar os objectivos, o jogador está a ganhar pontos para adquiri novos equipamentos e melhor o poder de tiro.

O aspecto visual mostra-nos algumas semelhanças com o original, mas apenas no ambiente em que Nathan se desloca. Não atinge níveis de excelência, mas é um jogo que agrada à primeira vista e flui normalmente. O herói é mais encorpado do que o original e apresenta um penteado mais actual, cheio de tranças. Também os cenários são variados e densos, mas pouco interactivos. No som, para além da voz de Nathan, de referir uma banda sonora adequada ao género de jogo, ou seja, muita explosão e sons de suspense.

Uma última palavra para o modo online, com 16 mapas disponíveis e os habituais modos do género, com possibilidade de utilizar os jogos gravados da versão online de “Bionic Commando Rearmed”. Em suma, uma boa adaptação de um título antigo às consolas da nova geração, a pedir uma continuação ainda melhor em alguns aspectos, como os objectivos que vão surgindo durante a acção.

Velvet Assassin: Espiã implacável

É difícil não efectuar uma comparação entre “Splinter Cell” e este “Velvet Assassin”. Pode mesmo dizer-se que a protagonista deste jogo é uma espécie de Sam Fisher de saias. Mas, antes de entrar em comparações, é de realçar o lançamento de um jogo de acção furtiva pura, algo que andava arredado dos PCs faz algum tempo. Num mercado cheio de FPSs, “Velvet Assassin” é uma lufada de ar fresco, apesar de não ser uma obra-prima dos videojogos.

Viollete Summer é a heroína deste título. O seu trajecto é baseado na história verídica de Viollete Szabo, uma agente secreta ao serviço dos britânicos, apesar de ser francesa, durante a II Guerra Mundial. Quando se fala numa personagem assim, vem logo à memória o nome de Mata Hari, célebre espiã durante a I Guerra Mundial, mas que tinha menos escrúpulos do que Viollete. No jogo, a espiã sofre um atentado e entra em coma, altura em que o jogador assume o controlo da personagem. Os delírios de Viollete levam-nos até algumas das missões que cumpriu, instalando-se alguma confusão em relação à personagem. É como estar a viver as missões, antes mesmo de elas terem acontecido. Depois de um período de adaptação, é altura de começarem as missões.

A mecânica de “Velvet Assassin” não oferece grandes novidades. Muito semelhante a “Splinter Cell”, a grande inspiração dos produtores do jogo, leva Viollete a um conjunto de missões pela Europa. Paris, Varsóvia e Berlim são alguns dos locais onde a presença da espiã é essencial, sempre com um objectivo prioritário, não ser descoberta. Para tal, existe um indicador que mostra o grau de camuflagem de Viollete, indicando se está ou não perto de ser descoberta pelos inimigos nazis. Para passar despercebida terá de utilizar disfarces, esconderijos ou eliminar adversários, sem nunca deixar rasto. Uma poderosa espingarda de sniper permite alguns dos melhores momentos do jogo, com Viollete a fazer uso da sua perícia para eliminar obstáculos de uma forma furtiva e sem que o inimigo se aperceba.

Quando o elemento surpresa se desvanece, é hora de combater. Sendo um jogo na terceira pessoa, os combates com armas são pouco atractivos, até porque a quantidade de armas é escassa. Os combates corpo-a-corpo oferecem mais emoção, com Viollete a demonstrar alguns golpes eficazes e a mostrar a sua faceta de implacável. Existe ainda uma função de câmara lenta, quando é injectada morfina durante os delírios da personagem, que também faz parar os adversários. No fundo, nada de novo na mecânica de jogo, mas pelos menos oferece uma dinâmica que condiz com a acção furtiva que caracteriza o jogo.

Em termos gráficos, “Velvet Assassin” é equilibrado. As primeiras informações sobre o jogo prometiam um aspecto gráfico de primeira qualidade. O produto final mostra que não é bem assim, mas não envergonha. Os cenários fazem-nos sentir que estamos em plena II Guerra Mundial, enquanto a protagonista tem tudo o que uma espiã deve ter: beleza, agilidade e inteligência. Já a câmara de jogo perde, por vezes, os movimentos de Viollete, algo que em nada favorece durante um combate. Já o ambiente sonoro está de acordo com um jogo que oferece bastante suspense, principalmente quando Viollete é descoberta nas suas acções.
Em resumo, a personagem é interessante, algumas missões entusiasmam, mas falta um pouco mais de qualidade gráfica e alguma longevidade do jogo.

Buzz! Quem é o Génio Português?: Mentes brilhantes

Olhar para a série “Buzz!” como simples jogos de perguntas e respostas é redutor e não se aproxima da verdade. Pode questionar-se algumas versões menos conseguidas, mas a essência do jogo é inquestionável. Desde que surgiu, em 2005, “Buzz!” mudou formas de convivo social. Noites passadas na discoteca ou em tradicionais jogos de cartas são agora, amiúde, substituídas por este “party game”. Amigos e familiares juntam-se em redor da televisão, com os “buzzers” em punho e abre-se uma luta de egos pelo que tem maiores conhecimentos.
A chegada da série à Playstation 3 deu ainda um maior impulso à popularidade do jogo, devido á vertente on-line. A possibilidade de criar “quizz” e disponibilizar a toda a comunidade, deu uma longevidade à serie sem limite. Por outro lado, a disputa de competições on-line aumentou ainda mais o interesse no jogo. Assim, não é de estranhar que a Sony aproveite estas características do jogo e lance um concurso de génios a nível mundial. Em Portugal, o jogo recebeu uma versão própria denominada “Buzz! Quem é o Génio Português?” e irá possibilitar aos “cérebros” nacionais a possibilidade de participar no “Buzz! World Championships”, que irá eleger o concorrente com maior grau de conhecimento de cultura geral. O prémio final é um automóvel, Mini Clubman, um excelente incentivo para quem quer demonstrar tudo aquilo que sabe. A participação é feita de uma forma muito simples. Os jogadores terão de jogar a versão on-line e efectuar o upload da melhor pontuação no modo de jogador único no Quadro de Classificações. Os resultados podem ser enviados até 29 de Maio e, caso fique entre os 32 melhores, será escolhido para representar Portugal no “Buzz! World Championships”, numa localização ainda secreta e que estará cheia de novidades.

Quanto a esta nova versão do jogo, podemos esperar novas perguntas, o hino nacional e o mesmo Jorge Gabriel de sempre. No modo destinado a um jogador, o tempo vale pontos. É dado a escolher o tema ao jogador e depois quanto mais rápido responder, mais pontos vai amealhar. No modo de multijogadores, surgem as habituais rondas com os já conhecidos “Jogo das Tartes, “Passa a Bomba” ou “Ladrão de Pontos”, terminando o jogo na habitual “Contagem Final”.
Duas chamadas de atenção. Sendo uma versão portuguesa era de esperar um maior número de questões relacionadas com o nosso país, mas isso não acontece. Por outro lado, algumas das frases do Buzz são praticamente imperceptíveis, quando surgem os aplausos. De forma positiva, destaca-se o novo cenário com as cores nacionais e o hino português quando o Buzz é apresentado. Sabe sempre bem escutar a canção nacional, seja onde for.
“Buzz! Quem é o Génio Português?” acaba por ter na possibilidade de participar no “Buzz! World Championships” a sua grande novidade em relação a todos os outros jogos da série. Se pensa ter uma cultura geral acima da média, tem ligação à Playstation Network e a nova versão do “Buzz!”, as possibilidades de ganhar um carro novinho em folha são muitas. (Mais informações em www.BuzzTheGame.com)

X-Men Origins – Wolverine: A vida do herói

Um dos grandes mistérios por resolver na banda desenhada era o passado de Wolverine. Esta personagem Marvel “nasceu” de forma discreta numa edição do “Incredible Hulk”, em 1974. Mais tarde, seria repescado para ingressar na equipa do X-Men, onde foi granjeando fãs, devido à sua forte personalidade e, acima de tudo, ao mistério que ronda as suas origens. Conhecido pelas garras que saem das suas mãos quando ataca os inimigos, Wolverine possui ainda uma força sobre-humana, sentidos apurados e capacidade para regenerar as lesões que sofre.

Isto é o que se conhece de Wolverine, mas muito mais vai ser dado a conhecer em “X-Men Origins – Wolverine”, o próximo filme da saga, totalmente dedicado à vida desta personagem. Como seria de esperar, foi produzido um jogo com base no filme, algo que deixa sempre apreensivos os críticos de videojogos, que não vêem com bons olhos estas adaptações. Na realidade, raras são aquelas que apresentam qualidade suficiente para figurar nas nossas prateleiras de jogos, mas “X-Men Origins – Wolverine” vem provar que é uma excepção à regra.

O jogo procura seguir a história do filme, mas acrescenta-lhe alguns extras. Uma missão passada em África é o início de uma série de acontecimentos que vão levantar o véu sobre o passado de Wolverine. A Raven Software, produtora do jogo e responsável por títulos como “Marvel Ultimate Alliance”, dedicou especial importância à história e à forma como é contada. Assim, não é de estranhar algum paralelismo entre o percurso de Wolverine e de Kratos, o herói de “God of War”. Um passado por resolver, uma raiva incontida e uma coragem sem limites caracteriza estes dois personagens, não sendo também de admirar a mecânica de jogo similar entre estes dois títulos.

Quem gosta de RPG, vai ter aqui um pequeno cheirinho deste género, mas o grosso do jogo é dedicado à acção e aos combates. É aqui que toda a violência de Wolverine é mostrada e o sangue toma conta da maioria dos cenários. A sua melhor arma é mesmo as garras de “adamantium”, que tudo destroem e esquartejam. Por outro lado, a sua capacidade de regeneração deixa-nos uma sensação de imortalidade, sem medo de dar o peito às balas e avançar sobre os inimigos sem dó nem piedade. E quando a barra que indica o estado em que está a raiva de Wolverine está cheia, é melhor não estar ninguém por perto. A jogabilidade é outro dos predicados deste jogo, com combos atrás de combos, mistura de ataques suaves com golpes sangrentos. Os elementos RPG surgem quando os combates são ganhos, amealhando pontos de experiência, que vão servir para melhorar atributos da personagem. Quando surgem os “bosses”, os combates são elevados a um nível de dificuldade elevado, mas de grande emotividade. Para descansar e lamber as feridas, existem momentos de busca, de resposta a enigmas que servem para avançar na acção.

Em termos gráficos, “X-Men Origins – Wolverine” utiliza o Unreal Engine 3, mas nem por isso surpreende visualmente. Os detalhes da personagem de Wolverine estão quase perfeitos, os aspectos visuais relacionados com a regeneração em tempo real mostram uma preocupação muito grande da Raven neste aspecto, mas existem demasiados “soluços” no jogo. Já a qualidade sonora é superior, onde predomina a voz de Hugh Jackman que dá vida ao herói no cinema, com uma banda sonora que chega para as encomendas. Em suma, um bom jogo, mas podia estar melhor graficamente e ter um modo on-line.
