Marvel Ultimate Alliance 2 – Heróis contra vilões

O universo Marvel é um filão inesgotável de contexto para filmes e videojogos. Apesar de tudo, nunca nos videojogos nenhum jogo se tinha distinguido pela qualidade, apesar dos nomes conhecidos dos super-heróis e de um universo que sempre foi apreciado por milhões de pessoas em todo o mundo. Tudo mudou em 2006, quando surgiu “Marvel Ultimate Alliance”, título que reunia a fina flor de super-heróis e vilões, numa espécie de luta “all-stars” entre o bem e o mal. O jogo diferenciava-se por misturar dois géneros que se complementam, acção e RPG. Ao mesmo tempo, apresentava um aspecto gráfico muito interessante, superior à maioria dos jogos criados com base no universo Marvel.

“Marvel Ultimate Alliance 2” é uma continuação do trabalho desenvolvido pela Vicarious Vision e a Activision, com poucas alterações ao nível da jogabilidade, mas com uma narrativa diferente. A acção situa-se na série “Civil War”, uma das mais prestigiadas da Marvel. No cerne da questão está o Superhuman Registration Act, levando ao combate duas facções, uma apoia o Pro-Registration e defende os interesses do país, e a outra contra-ataca, apelando à luta pelas liberdades individuais e denominando-se Anti-Registration. Para quem não está familiarizado com os livros da Marvel, o jogo apresenta diálogos explicativos e com possibilidades de escolha, deixando a opção ao jogador de lutar pela facção que desejar.

Conhecida a história é hora de passar aos actos. Cada missão junta quatro super-heróis ou vilões em equipa, com a possibilidade do jogador controlar qualquer uma das quatro personagens em tempo real, ao mesmo tempo que é possível trocar, a qualquer momento, uma destas personagens. De um lado, podemos encontrar nomes como Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro ou Wolverine, enquanto na equipa dos vilões destacam-se Hulk, Venom ou o Duende Verde.

Os combates são normalmente povoados por doses bem servidas de inimigos. A inteligência artificial do jogo faz uma boa gestão dos restantes três membros da equipa, enquanto o jogador assume o papel do outro membro. É aqui que surge uma das boas características deste jogo, a fusão de poderes. É possível combinar mais de 250 fusões, como por exemplo, as teias do Homem-Aranha, com o fogo do Tocha Humana, o que leva a fazer experiências entre os vários poderes até encontrar algum quase imbatível. A mecânica é relativamente fácil, pois basta apertar um botão para escolher qual o herói que o jogador deseja juntar à personagem que já controla e depois ver o resultado final.

A vertente menos musculada deste título está no RPG. Apesar de não estar muito desenvolvida, algo a ser trabalhado pela produtora numa eventual próxima sequela, consegue conferir algum interesse extra ao jogo. Pontos que servem para ganhar ou reforçar habilidades, subidas de níveis e recolha de itens servem para melhorar o desempenho das personagens, ao mesmo tempo que os diálogos servem para efectuar escolhas no desenrolar da história, ao mesmo tempo que conferem pontos consoante as decisões tomadas.

A nível gráfico, nota-se uma clara evolução em relação ao título original, com algumas melhorias no motor de jogo Alchemy. As personagens estão bem detalhadas e muito próximo do original, enquanto os cenários continuam a ser interactivos, em que carros, tanques ou o que esteja mais à mão de um herói ou vilão, podem servir de arma.

O modo on-line foi também melhorado, com partidas cooperativas, que também podem ser jogadas off-line, em que um jogador pode entrar na acção a qualquer momento, em equipas de quatro jogadores. “Marvel Ultimate Alliance 2” recupera o que de melhor foi produzido no jogo original e junta-lhe algumas melhorias gráficas, sendo um jogo que já se destina para além da legião de fãs da Marvel. É já um título para quem gosta de um bom jogo de acção, com um cheirinho de RPG.

Pro Evolution Soccer 2010 – Futebol de ataque

O Gamesroom foi um dos privilegiados com uma cópia do “Pro Evolution Soccer 2010″ para uma análise ao jogo, antes mesmo de estar disponível no mercado. Depois de algumas horas bem passadas, na companhia do popular “PES”, eis as grandes conclusões. Ponto prévio desta análise. É quase impossível falar de “PES 2010”, sem esquecer o rival “FIFA 10”. È como falar no Benfica e não falar do Sporting ou F.C. Porto. São rivais e contribuem para a paixão que milhões de pessoas de todo o mundo dedicam a estes dois verdadeiros simuladores do desporto-rei. Depois da análise a “FIFA 10”, publicada na semana transacta, as expectativas em relação a “PES 2010” eram ainda maiores. O adversário melhorou, com qualidade, o plantel, faltando saber se a equipa da Konami tinha feito boas contratações e do mesmo nível.

As dúvidas foram tiradas logo no primeiro jogo. As modificações introduzidas no motor de jogo mostram um “Pro Evolution Soccer” bem melhor, completamente diferente das últimas duas edições, que tinham sido uma autêntica desilusão. A famosa rotação de 360º dos jogadores é uma lufada de ar fresco na jogabilidade. Os jogadores já não parecem simples robôs em campo, tem movimentos mais realistas e permitem novo tipo de jogadas e desmarcações mais incisivas.

Outra diferença acentuada está na inteligência táctica das equipas. A equipa controlada pelo jogador obedece mais fielmente ao esquema táctico escolhido, defendendo melhor e abrindo menos espaços. Já a equipa adversária torna o jogo mais complicado, pois fecha muito bem os espaços vazios e ataca quase sempre pela certa. Em resultado destas alterações, é mais difícil marcar golos. Se num determinado tipo de jogada, a nossa equipa consegue fazer um golo, ao tentar imitar essa mesma jogada a equipa adversária já vai defender de forma diferente. Isto significa que, as habituais jogadas tipo que davam sempre golo, acabaram.

Infelizmente, há vícios antigos difíceis de combater. Os guarda-redes são um deles. Continuam a ter paragens cerebrais, tendo testemunhado um lance caricato, em que um defesa atrasa, de cabeça, uma bola para o guarda-redes e este sai a correr da baliza e deixa a bola passar-lhe por cima. Resquícios de um passado recente. Por outro lado, as bolas paradas continuam a necessitar de melhoramentos. Quando não é possível chamar um segundo jogador num livre, é quase perda de bola na certa. Ou seja, este tipo de livres favorece mais que os prevarica do que quem os sofre.

A introdução do sistema de cartões para os principais movimentos dos jogadores é um aspecto interessante e que funciona relativamente bem. A experiência com Leonel Messi mostrou que colocá-lo na direita e flectir para o centro para rematar ou assistir é, na realidade, um dos seus melhores movimentos e funciona no jogo.

Nos modos de jogo, a Liga dos Campeões tem nesta edição mais equipas, mas ainda muitas outras faltam. A maior novidade está na alteração da estrutura da Master league, com mais funcionalidades e mais adaptada à realidade, como o novo sistema de transferência e a nova gestão do clube, com patrocinadores e muitas outras situações de gestão. Uma desilusão foi o facto de os plantéis da maioria das equipas não estarem actualizados, deixando esse trabalho, mais uma vez, para os fãs do jogo com os seus habituais “patches”, tal como a ausência de muitas licenças, como é o caso da Liga Inglesa, mas estando neste aspecto bem melhor que em anos anteriores, sinal que a Konami não esquece esta vertente, como é o caso da inclusão do Sp. Braga. Quanto ao modo on-line não foi possível testar na altura em que esta análise foi efectuada, pois só ficou disponível no dia 22 de Outubro.

Em termos gráficos, “PES 2010” ganha aos pontos a “FIFA 10”. As faces dos jogadores atingem níveis de realismo fantásticos, não sendo esta situação aplicável a 100 por cento dos jogadores, mas pelo menos aos mais conhecidos. As animações também são mais realistas, com movimentos de um verdadeiro jogo de futebol. As bancadas estão mais interactivas, com público mais diferenciado e com mais pormenores. A luz e as sombras são o chamado, pau de dois bicos. Uma luz brilhante, quase como se fosse surgir uma aparição numa das áreas, dificulta a visibilidade da bola, principalmente nos jogos diurnos. Numa jogada algo confusa, nem quem escreve estas linhas, nem o adversário conseguiram ver a bola que estava já dentro da baliza. Só na repetição foi possível ver como tudo se passou. Outra boa novidade está nos comentários em português. Aqui, apenas por uma questão de gosto e nada mais, “PES 2010” é também superior a “FIFA 10”. A dupla Pedro Sousa (Rádio Renascença) e João Vieira Pinto fez um bom trabalho, apesar de alguns erros nos comentários. Contudo, dá uma nova vida ao jogo e sabe sempre bem escutar a língua portuguesa, principalmente os comentários mais irónicos de JVP. Uma última palavra para os menus, bem mais intuitivos e fáceis de aceder, ao contrário do que sucede no rival “FIFA 10”.

Concluindo, finalmente temos um “PES” à altura do rival, em alguns pontos bem superior. Se “FIFA” continua com alguma vantagem na variadade de modos de jogo e numa jogabilidade mais fluida, “PES” é melhor em termos gráficos e sonoros. Contudo, nunca a proximidade entre os dois jogos foi tão grande como agora. O ideal era ter um jogo com as características que se salientam mais em cada um deles. Mas, como não é possível, vai ser necessário continuar a escolher entre dois amores.

Análise PES 2010

Amanhã, não percam a análise, para PS3, de “Pro Evolution Soccer 2010″. O jogo, que estará disponível para PC e PS3 no próximo dia 22 de outubro, apresenta muitas novidades. Veja quais são, as imagens e um vídeo do jogo. A partir das 8 da manhã, a análise de “PES 2010″, um dos jogos mais esperados do ano, estará disponível no Gamesroom.
Não percam ainda as imagens e toda a informação sobre a apresentação do jogo, na próxima 6ª feira.
FIFA 10 – Futebol de classe

O futebol virtual já começou a época na semana transacta, com a chegada no popular “Championship Manager”, na área da estratégia e gestão. A época dos simuladores começa com “FIFA 10” que promete uma bela rivalidade com “Pro Evolution Soccer 2010”, que chegará no fim deste mês. Quem ganha, obviamente, são os fãs deste género de jogos, com dois títulos que têm vindo a afastar-se progressivamente, pois a série “FIFA” tem sido mais regular, em termos de qualidade, enquanto a série “PES” tem deixado fugir o comboio da qualidade. Este ano parece ser diferente, mas vamos deixar essas apreciações para mais tarde e centrar a análise nesta nova edição do “FIFA”.

A grande novidade deste ano está, novamente, na jogabilidade. Agora é possível fazer quase tudo com os jogadores devido ao sistema de dribles e rotações de 360º. Isto significa que os jogadores deixaram de ter um comportamento robótico e terem movimentações limitadas, para passarem a ter uma movimentação mais real e que permite novo tipo de jogadas. No entanto, esta evolução na jogabilidade não é notória ao fim de um jogo. É algo progressivo e que se vai ganhando ao longo de vários encontros, onde se nota uma evolução na forma de jogar das equipas. Pegar no jogador mais forte da equipa, como Messi ou Cristiano Ronaldo, e arrancar por ali fora, em dribles, pode ser uma solução muito esporádica, pois não resolve jogos. O trabalho de equipa está mais acentuado e esta é a evolução certa para os simuladores de futebol.

O campo de treinos tem agora nova importância. Ensaiar jogadas pode ser uma forma de chegar mais facilmente ao golo. O teste foi feito, utilizando uma táctica semelhante à do Benfica, colocando Ramires à direita, Saviola no bico da área e Aimar no apoio. Os três desenharam um lance de golo no treino, que após algumas tentativas num jogo oficial deu frutos.

Nos modos de jogo, para além do já muito elogiado “Be a Pro”, existe agora o “Profissional Virtual”. Este modo permite criar um jogador e personalizá-lo à sua imagem, podendo mesmo usar uma fotografia do próprio e depois integrar qualquer clube ou torneio por essa internet fora. A evolução deste jogador é feita através do ganho de habilidades e troféus em todos os modos de jogo do “FIFA 10”, ou seja, tudo pode influenciar o nosso “eu” com espírito de Cristiano Ronaldo. Ou não…

No modo “Manager” também existem inovações, com especial destaque para o relatório dos olheiros sobre os adversários, com informações preciosas para contrariar as equipas que vamos defrontar. Está mais real, mesmo a nível de transferências, com negociações mais duras para contratar o jogador que tanto desejamos para a nossa equipa. Os modos on-line também foram melhorados, principalmente as ligações aos servidores, onde o “lag” não é um problema, mas os grandes jogadores espalhados por esse mundo fora e que nos dão grandes “cabazadas” já o são.

A nível gráfico, “FIFA 10” não acompanha a evolução da jogabilidade. E aqui perde para o novo “PES 2010”, principalmente ao nível do detalhe das faces dos jogadores. Também quando existem condições climatéricas adversas o motor de jogo, apesar de fluído, não mostra uma qualidade condizente com os restantes aspectos do jogo. Esta deverá ser a próxima melhoria da série, pois corre o risco de se tornar antiquada em termos gráficos, com os riscos inerentes que podem surgir. Os comentários, em português, de Hélder Conduto e David Carvalho, já veteranos nestas andanças mostram que estão em forma. Um Benfica – Sporting relatado pelo Hélder Conduto, é sempre de saudar. As repetições é que, ao fim de algum tempo, começam a cansar quem joga, mas é sempre bom ouvir a nossa língua num jogo desta dimensão. De resto, todo o restante jogo está em português, desde os menus aos tutoriais.

“FIFA 10” mostra que não parou no tempo e está atento ao rival “PES” e às suas eventuais melhorias. A jogabilidade atingiu o máximo da forma, os modos são variados e quase todos atractivos, mas precisa urgentemente de uma nova lavagem gráfica para atingir a quase perfeição.

Championship Manager 2010 – Futebol renovado

Todos os anos, entre os meses de Setembro e Outubro os jogos ligados ao futebol dominam o mercado. “Championship Manager” (CM) e “Football Manager” (FM), na estratégia, e “FIFA” e “Pro Evolution Soccer” (PES), na simulação, mostram como o futebol é rei até nos videojogos. O primeiro a chegar foi o mítico CM, com algumas novidades bem interessantes, e bem precisa, pois a concorrência de FM nos últimos anos atirou o título da Eidos para segundo plano.

O que salta logo à vista nesta edição de 2010 é o novo motor de jogo 3D. O realismo é agora uma certeza, com a movimentação dos jogadores a corresponderem quase na perfeição à táctica delineada. A escolha de um 4-4-2, em losango, a táctica da moda, mostrou a movimentação da equipa na perfeição. Existe uma física mais real da bola, apesar do aspecto exterior ao relvado apresentar umas bancadas desoladoras. Existem várias câmaras disponíveis e mais de 500 animações por jogador, realçando-se o trabalho dos guarda-redes, muito mais activos do que nas edições anteriores. A Beatiful Game trabalhou para ter um motor de jogo superior a FM e teve sucesso. Mas, terá de melhorar no som que vem das bancadas, pois continua de péssima qualidade, como acontece noutros jogos do género.

Outra novidade é o treino das bolas paradas. Basta olhar para os golos do Benfica deste ano para se ver como são importante as bolas paradas durante um jogo. Cantos, livres e até lançamentos de linha lateral podem ser treinados na exaustão, nascendo aqui os tais “lances de laboratório” que podem resolver um jogo. A importância dos treinos é agora maior, com novas opções à disposição do treinador, como é o caso dos jogos-treino a meio da semana, para afinar o onze para o encontro seguinte.

“Championship Manager 2010” conta com uma gestão ainda mais aprofundada. Nada escapa ao treinador que controla todos os aspectos relacionados com a equipa. Desde a componente técnica até à gestão de jogadores. A importância de contratar o jogador certo para a posição certa é fundamental para o sucesso da equipa. Como tal o sistema de olheiros foi também renovado, surgindo mais próximo da realidade. Bem ao jeito de José Mourinho, é possível criar uma rede de olheiros num determinado país, como por exemplo Portugal ou Brasil, ou gastar algum dinheiro formando olheiros em locais específicos para que adquiram conhecimentos e descubram as melhores “pérolas” do futebol.

A base de dados do jogo continua impressionante e muito próxima da realidade. Contudo, ainda não atinge a qualidade da base de dados de “Football Manager”. Só um exemplo, enquanto o FM já conta com a Taça da Liga portuguesa, esta versão de CM ainda não disponibiliza esta competição. De resto, a quantidade de informação disponibilizada continua a ser, principalmente para os novatos no jogo, muita e pouco intuitiva. Os menus são fartos em dados, mas é muita informação para processar para um jogador. Aqui, as saudades do velhinho “CM 01/02” regressam em força, onde era meia bola e força e tínhamos a época completa num ápice.

Uma das grandes novidades deste ano chama-se “CM Season Live”. Para fazer face ao “Football Manager Live”, a Beautiful Game criou este modo online, onde um jogador terá à disposição clubes das 10 ligas mais competitivas da Europa. Com estatísticas baseadas na realidade dos clubes, um jogador pode ter desafios muito interessantes. Imaginem que, chegamos a Janeiro e o Real Madrid ocupa a terceira posição na Liga Espanhola. A nossa função será de pegar em todos os dados reais que levaram os “merengues” até essa posição e tentar conquistar o título. Este é um serviço que carece de uma subscrição, mas é uma importante evolução neste título, mostrando estar cada vez mais completo e mais perto de “Football Manager”.

Em suma, “CM 2010” sofreu alterações importantes e aproximou-se do líder da estratégia futebolística. Tem um excelente motor de jogo 3D, um aspecto gráfico mais atractivo, um sistema de treinos muito próximo da realidade e o “CM Season Live” é um desafio interessante.
