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Syndicate – Dupla personalidade Março 9, 2012

Posted by nunomachado in Análises, Playstation 3.
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Era uma vez,  um jogo de estratégia em tempo real, que surgiu em 1993, e deixou saudades, carregado de ficção científica e violência a rodos. Se és desses tempos e ainda recordas este jogo, deves ter ficado em pulgas quando ficaste a saber que “Syndicate” tinha saído do baú e iria regressar, não só para a plataforma de origem, o PC, mas também para as consolas, PS3 e Xbox 360.

A Electronic Arts resolveu entregar a tarefa de recriar o jogo à Starbreeze e o resultado final pode chocar um pouco os antigos fãs do jogo. Em primeiro lugar, porque deixou de ser um jogo de estratégia em tempo real, género em vias de extinção, para passar a FPS, ou para os menos entendidos, tiros a torto e direito. Depois, porque esta transformação trouxe consequências, umas negativas, outras positivas. Aliás, se “Syndicate” estivesse deitado no sofá de um psiquiatra certamente seria-lhe diagnosticado distúrbio de dupla personalidade. Mas já lá vamos aos problemas psicológicos do jogo.

A acção começa num quarto fechado, com a nossa personagem, Kilo, a ser sovado. Tudo se passa no longínquo ano de 2069, onde já não existem países, mas sim grandes corporações que lutam entre si pelo domínio do planeta. São as denominadas Syndicates que têm ao seu serviço agentes dotados de capacidades físicas e psicológicas de outro mundo, devido aos avanços tecnológicos que permitem incorporar chips que conferem habilidades únicas. Kilo pertence à EuroCorp e tem como missão descobrir uma cientista da mesma corporação que está desaparecida. Este poderia ser um ponto de partida interessante para uma história envolvente, mas não passa disso mesmo, de um ponto de partida. A partir daqui, há muito para matar e pouco mais de narrativa que seja relevante para a evolução do jogo. É aqui que começa o distúrbio de personalidade de “Syndicate”. Ou a falta dela no modo campanha, pois sem história este modo é sofrível. Como não há um fio condutor, todos os momentos onde não há combates parece que estamos a jogar para o boneco. De quando em vez, lá surge um quebra-cabeças para resolver, mas revela-se antes um quebra-paciência, tal a inocuidade que têm para a história do jogo. Por outro lado, quando a acção começa a subir de tom, surge um dos tais momentos mortos. É como tirar um brinquedo a uma criança quando ela começa a gostar dele.

De qualquer forma, os momentos de combate no modo campanha são o melhor que ela tem. Aí, para além de um arsenal diversificado, ainda é possível utilizar as capacidades do chip que está incorporado em Kilo. Exemplo? Podemos ordenar a um inimigo para rebentar uma granada na própria mão. Ah como dava jeito ter estas capacidades psíquicas para serem utilizadas em determinados árbitros e fiscais de linha! Investir contra os adversários à Rambo também não é a melhor táctica. Mesmo com todos os superpoderes do chip, Kilo não é imortal e tem que se proteger das balas adversárias constantemente. E quanto ao modo campanha, nada mais há a acrescentar.

Quando passamos ao modo cooperativo, “Syndicate” revela a outra faceta da sua personalidade. E aqui, uma bem mais agradável e simpática. A experiência de jogo revela-se totalmente diferente, muito mais emocionante e intensa. Aqui, não há lugar para individualistas, pois é fundamental trabalhar em equipa para ter sucesso. Para além de ter de eliminar agentes que parecem que estão debaixo de cada pedra, ainda temos que nos preocupar com os restantes elementos da equipa. Cada elemnto tem o poder de curar os outros, mas esta tarefa requer alguns segundos. Isto leva muitas vezes a decisões do género: “deixo morrer aquele gajo ou morro eu que estou a levar tiros de todos os lados e não tenho tempo para fazer de Deus e ressuscitá-lo?” É esta dicotomia, cenários diferentes do modo campanha, enfim, uma experiência de jogo mais intensa, que torna este modo cooperativo e “Syndicate”, num jogo que afinal pode ter cura para a doença de personalidade que o afecta.

Visualmente, não estamos perante uma obra-prima, mas a Starbreeze fez um trabalho competente. Se o mundo vai ser assim em 2069, então vamos viver na escuridão com arranha-céus ainda maiores, mas do exterior não se sabe muito mais porque o jogo também não o mostra. Alguns efeitos de luz são exagerados e prejudicam a jogabilidade, imagem aqueles condutores que se esquecem de desligar os máximos à noite e nos encandeiam? Acontece o mesmo aqui e de vez em quando lá vem uma bala da luz e tombamos para o lado sem saber ler, nem escrever.

A ideia final que se tira de “Syndicate” é que os produtores tinham potencial para construírem um Ferrari, mas ficaram-se por um Hyundai. Não é espectacular, mas dá para o dia-a-dia.  Se decidirem produzir uma sequela, fica o conselho de o levar ao psiquiatra e descobrir a cura para a personalidade má. Aquela que não tem história, com um modo campanha curto e momentos mortos a mais. Mas que mantenham a outra personalidade e, já agora, acrescentem um modo multiplayer. Onde já se viu um FPS sem aquele que é o seu modo de eleição???? O modo cooperativo é dos melhores que há no género, mas só este dificilmente chega para justificar o investimento.

Avaliação:

Não percas tempo com este jogo!

Joga uma vez e arruma na prateleira.

√ Se não tiveres mais nada que fazer é um bom divertimento.

Estou a jogar há três dias e ainda não me cansei!

Até pagava o dobro por este jogo!

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