Darksiders – Fim do mundo

O ano de 2010 está a começar em grande no mercado de videojogos. A qualidade dos títulos que estão a surgir, surpreende pela positiva, o que deixa antever um bom ano de “colheita”. Depois de “Bayoneta” e dos anunciados “Army of Two: The 40th Day” e “Mass Effect 2”, dos quais as análises serão publicadas brevemente, chega agora um surpreendente “Darksiders”. E ainda estamos apenas no início de Fevereiro.

Um dos nomes ligados à produção deste jogo é Joe Madureira, responsável pela produção da série “X-Men”, na Marvel Comics, e que esteve por detrás da inspiração visual e da narrativa de “Darksiders”. E o resultado final é um excelente trabalho, não só a nível estético, como de uma história em crescendo e que vai agarrando o jogador. A acção inicia-se com o anunciar do apocalipse. O jogador veste a pele de War, um dos quatro cavaleiros do apocalipse, e irá mediar a guerra entre o Céu e o Inferno. Esta só vai acontecer quando os sete selos sagrados forem destruídos e terá lugar na Terra, o reino dos Homens. Contudo, War é enganado e considerado responsável por um fim prematuro do mundo. São lhe retirados os poderes e terá agora de vaguear pela Terra, pejada de anjos e demónios em confronto, procurando os verdadeiros responsáveis.

À partida, a mecânica do jogo pode afastar os que têm menos paciência e gostam de avançar na acção rapidamente. Tudo porque a personagem principal, War, está destituída de poderes, o que dificulta a vitória nos combates. Contudo, acaba por ser um desafio aliciante ir subindo degrau a degrau, conquistando poderes ao longo da narrativa. Sendo um puro jogo de acção, onde os combates são fulcrais, War inicia a história com uma magistral espada, a qual é uma bela ajuda para derrotar as incríveis criaturas que vão surgindo de todo o lado. É aqui que a referência a “God of War” é mais semelhantes, numa clara alusão à personagem Kratos e às suas capacidades iniciais no jogo. Com o desenrolar da história, War vai ganhando armas especiais, como uma curiosa foice, golpes especiais e energia extra. Tudo vai ser fundamental para os inúmeros combates, com combos à palete e, mais uma vez, algo similar a “God of War”, a presença de botões específicos para derrotar os “bosses” que temos pela frente.

Outro aspecto importante é a exploração dos enormes cenários à disposição do jogador. Há muito para ver e encontrar, mas existe uma lógica. Encontrar alguém que pode dar informações tem uma localização específica e um determinado objecto estará ligado a outro objecto específico. Ou seja, não é colectar por diversão, mas sim para avençar na acção. Por vezes, será necessário regressar a cenários já explorados ou repetir algumas tarefas, mas nem este facto retira ritmo à acção.

O aspecto gráfico pode ser melhorado numa próxima sequela. As texturas são o ponto menos positivo, tal como a variedade de objectos nos cenários. Apesar da grande dimensão, algumas zonas parecem despidas de objectos. Em oposição, as personagens estão magistralmente desenhadas e detalhadas. Joe Madureira optou pelo exagero para caracterizar as personagens e conseguiu um resultado final de grande qualidade. Os braços de War, desproporcionais ao resto do corpo, são uma das características mais marcantes da personagem, e útil durante os combates.

A banda sonora está adequada à acção do jogo, acompanhando os momentos mais fortes de acção com temas poderosos. Mark Hammil, mais conhecido por ter sido o primeiro Luke Skywalker, empresta a sua voz à história, o que ajuda ainda mais à qualidade sonora.

“Darksiders” é uma boa surpresa, com uma longevidade perto das 20 horas, se a opção recair por uma exploração mais minuciosa dos cenários. Em termos gráficos, necessita de alguns acertos, mas nada que prejudique a acção e a jogabilidade. Esta é mesmo o grande trunfo do jogo e a principal razão para passar algumas horas a assistir ao fim do mundo.

Bayonetta – Que bela bruxa!

O primeiro contacto com este jogo leva-nos ao passado, mais concretamente até “Devil May Cry”. Não é simples coincidência, pois o criador deste mítico jogo, Hideki Kamiya, é o mesmo de “Bayonetta”. Logo, as semelhanças são visíveis, mas para gáudio dos jogadores o título em análise está uns furos acima da saga “Devil May Cry”. Principalmente, no aspecto gráfico, um deslumbre de cor e luz aos olhos de quem aprecia os produtos desta indústria.

Só os grandes mestres japoneses dos videojogos têm imaginação para criar belas mulheres nos videojogos. Quem não se lembra da saga “Dead or Alive”? A bela personagem Bayonetta segue os mesmos traços, mas apresenta outros atributos, pois além da beleza, tem na magia e da destreza no manuseamento de armas duas características fortes. A história mostra mais uma versão da dicotomia entre o Bem e o Mal. Bayoneta é a única sobrevivente de um clã de bruxas, “Umbra Witches”, simpatizantes do inferno, depois de uma querela com as “Lumen Sages”, um clã com simpatia pelo paraíso. Ferida na alma, Bayonetta parte para um combate, onde procura assegurar a sobrevivência do seu clã, enfrentando monstros e uma inimiga do outro clã. Entre as duas personagens surgem diálogos cheios de humor, bem ao estilo de alguns filmes policiais de Hollywood.

A mecânica do jogo é, essencialmente, dominada pela presença de Bayonetta. Desde a sua beleza física até aos seus poderes tudo influencia na forma como decorre a história. O jogo decorre por níveis, onde no final de cada há um prémio, uma estátua que pode ser de bronze, prata, ouro ou platina. Tudo vai depender da rapidez e da capacidade de não sofrer estragos durante os combates. Depois, existe ainda a possibilidade de destruir uns quantos anjos para ganhar anéis ou itens. Os anéis servem para comprar armas ou melhoramentos para as mesmas, no “Gates of Hell” (nome apropriado…), um bar que pertence a Rodin, o fornecedor de armamento da bela bruxa. Depois podem combinar-se armas e fazer combos terríveis. As armas dos inimigos também podem ser utilizadas, o que confere um arsenal imenso para Bayonetta. A bela personagem traz sempre dois pares de armas, um deles nos sapatos, sempre prontas a disparar.

Uma das vertentes mais importantes e mais emocionantes são os combates. Tudo é grandioso, desde os cenários aos inimigos, passando pelas capacidades de Bayonetta. Para além das armas, a sexy bruxa faz ainda uso do seu fato e cabelo. Quando o fato desaparece e dá lugar às suas belas curvas, o cabelo transforma-se em poderosos monstros, quase sempre fatais para os seus inimigos. Para completar o ramalhete, existe ainda uma câmara lenta, bem ao estilo de “Matrix”, com os cenários a ganharem uma cor azul e Bayonetta a ter tempo para atacar os adversários em câmara lenta. Todas estas características são fundamentais para derrotar os inimigos mais complicados, os denominados “bosses”, dotados de uma IA considerável e capazes de ataques demolidores. No entanto, quando Bayonetta transforma o seu cabelo em criaturas do inferno, os combates ficam algo desequilibrados.

Outro aspecto muito positivo deste jogo é a qualidade gráfica. Desde o início. O jogador é arrebatado com a qualidade de detalhes dos cenários, situados numa Europa fictícia, cheia de pormenores a obras de artes de vários períodos da História. Nos combates, a câmara funciona na perfeição, em ambientes cheios de luz e cor, com explosões de fazer cortar a respiração. Depois, a cereja no topo do bolo, os detalhes das personagens, em particular de Bayonetta, candidata a Miss videojogos deste ano.

Também a banda sonora impressiona pela positiva. Misturando vários géneros musicais, numa mescla bem conseguida e que se adapta na perfeição à acção e aos ambientes do jogo. Depois, os diálogos estão bem construídos e recorrem a um humor corrosivo, com piada.

“Bayonetta” é jogo para muitas horas, pois os itens a recolher são uma infinidade e muito há para ver e explorar. É, sem dúvida, uma das grandes surpresas de 2010 e, apesar de ter surgido no início do ano, deverá estar no fim na lista dos melhores de 2010. A despedida é feita com uma das marcas do jogo, o beijo de Bayonetta que permite avançar para o próximo nível do jogo.

Os melhores de 2009

Os leitores do Games Room já elegeram os melhores vídeojogos de 2009. O jogo que conseguiu mais votos foi, sem surpresa, “Uncharted 2: Among Thieves”, que ganhou igualmente a categoria de melhor jogo para PS3. Destaque ainda para “Call of Duty: Modern Warfare 2″, vencedor em duas categorias. O Games Room agradece a contribuição de todos os leitores nesta votação. Eis os resultados:

Melhor jogo 2009 – PS3: Uncharted 2: Among Thieves

 Melhor jogo 2009 – PC: Call of Duty: Modern Warfare 2

Melhor jogo 2009 – Xbox 360: Assassin’s Creed II

Melhor jogo 2009 – Wii: Call of Duty: Modern Warfare: Reflex Edition

Melhor jogo 2009 – PSP: LittleBigPlanet

Melhor jogo 2009 – DS: Grand Theft Auto: Chinatown Wars

 

Invizimals – O poder da ilusão

Um dos grandes aliciantes da indústria dos videojogos é capacidade criativa dos produtores, sempre na senda de novos produtos, de momentos de entretenimento inovadores. Os resultados nem sempre são consensuais, mas no caso de “Invizimals”, estamos perante um título inovador, com qualidade e que entretém. Com uma clara vocação para um público juvenil, o jogo pode muito bem ser uma forma de pais e filhos passarem algumas horas em alegre convívio.

Quando se observa as primeiras imagens do jogo, a questão que se coloca é, como funciona esta tecnologia. A conjugação da consola com a Go!Cam, a câmara PSP, e os cartões que acompanham o jogo são o segredo da ilusão. Todos os elementos têm a sua função e o funcionamento é simples. A consola serve para visionar os personagens deste jogo, que são captados pela Go!Cam quando apontada aos cartões que acompanham o jogo. E voilá, eis que surgem uns simpáticos monstros que, sem a Go!Cam, seriam completamente invisíveis. Mas o melhor mesmo, é assistir ao vídeo que se encontra após a análise, em que as imagens valem mais do que qualquer palavra.

Também a história foge um pouco às triviais histórias que costumam estar por detrás de um videojogo. Em “Invizimals” existe mais interactividade com o jogador, que acaba por participar directamente nos acontecimentos. Num mundo paralelo, existem umas criaturas, os Invizimals, que estão em perigo. A descoberta foi feita pelo Dr. Dawson, que afirma que esse mundo paralelo se deve à consola PSP e às suas características. Envia então o seu ajudante, Keni, que irá ajudar o jogador a encontrar as criaturas e protegê-las. Mas, e há sempre um “mas”, nem todos os Invizimals têm bom feitio e vão prejudicar a missão do jogador. Por outro lado, a história do jogo vai sendo contada em vídeo e as personagens falam directamente para o jogador, sendo uma preciosa ajuda para resolver os obstáculos que vão sendo colocados. A cereja no topo do bolo é tudo estar em português, desde os textos às falas.

Quanto à jogabilidade, é simples. Andar pela casa, pelo escritório do trabalho ou por onde quiser em busca destas simpáticas criaturas. O melhor será mesmo em ambientes com boa iluminação, pois a Go!Cam não se dá bem com locais escuros, pois tem mais dificuldade em capturar tudo o que está no seu raio de acção. O teste efectuado na sala de estar mostrou que é necessário ter as luzes acesas para capturar melhor tudo o que passa à frente da Go!Cam. Mas, nem sempre é fácil. O jogo é baseado em cores, ou seja, a busca é feita por uma criatura que tem determinada cor, sendo necessário descobrir no ambiente onde o jogador se encontra uma cor semelhante. Nem sempre é dada a informação da cor, o que torna a procura uma espécie de agulha no palheiro. Por outro lado, nem todos os Invizimals são capturados da mesma forma, o que dificulta a tarefa do jogador. Depois de capturados, os 123 Invizimals existentes podem entrar em combates, onde o cartão do jogo serve de palco às lutas. Existe ainda a possibilidade de ver estes pequenos seres evoluírem, em 10 níveis, as suas características e ficarem mais temíveis em cada combate.

O modo single permite combates contra a consola ou contra outro jogador que tenha câmara, proporcionando momentos de grande emoção. Em termos gráficos, o jogo não pode ser avaliado como a maioria, pois o que surge no ecrã, para além dos bem detalhados e coloridos Invizimals, é o ambiente que nos rodeia. Resumindo, “Invizimals” é um jogo que potencia tudo o que existe de melhor na PSP, mostrando que esta consola pode ter produtos interessantes, inovadores e que nada ficam atrás, em termos de qualidade de produção, de jogos feitos para as consolas de maior dimensão.

James Cameron’s Avatar: The Game – Fraco avatar

Uma vez mais, as expectativas cumpriram-se Sempre que um “blockbuster” é adaptado a videojogo, o resultado final é quase sempre negativo. Na ânsia de acompanhar a estreia do filme, os produtores dos jogos têm um tempo limitado para produzir as suas obras de arte 2, no final, acabam por ser tudo menos isso, obras de arte. Foi o que aconteceu com “James Cameron’s Avatar: The Game”, onde se nota claramente que tudo foi feito à pressa, algo que não é possível de fazer nesta indústria se o pretendido for um produto final de qualidade.

A história é semelhante ao filme de James Cameron. O jogador pode escolher uma personagem masculina ou feminina e avançar para o planeta Pandora, no papel de um elemento do exército RDA. Aqui vai encontrar os Na’vi, uma raça que tem uma sociedade diferente dos costumes humanos, o que vai gerar conflitos e ser o cerne de toda a acção. A parafernália tecnológica dos humanos é tal, que existe um programa denominado “Avatar”, que permite que a nossa personagem se transforme num Na’vi. Mas, como essa transformação é apenas no exterior, o interior irá continuar diferente dos costumes dos Na’vi e as situações de conflito começam a surgir. Mais cedo ou mais tarde, o jogador terá de despir uma das personagens e optar por defender o exército RDA ou combater ao lado dos Na’vi.

O problema de “James Cameron’s Avatar: The Game” não está na história, mas no resto. O primeiro contacto com a jogabilidade deixa uma ligeira impressão que não há nada de inovador, como acontece no filme. A forma de movimentação das personagens e a câmara de jogo em nada ajudam a acção, com movimentos pouco usuais para o tempo actuais. Os produtores do jogo preocuparam-se acima de tudo na exploração do cenário. O jogador procura no mapa as missões que tem a realizar e desloca-se até ao local para as cumprir. Estas passam por um pouco de tudo, desde combates com forças inimigas, recuperar reféns, ou explorar elementos do planeta Pandora, entre outras. Para tornar a acção mais movimentada, o jogador depara-se com inúmeras criaturas durante os percursos para os pontos de missão, algumas dão luta, outras nem por isso. Existe ainda uma componente de pontos, que premeia o cumprimento das missões.

Uma das componentes que poderia ser mais interessante no jogo, os combates, pecam por alguns defeitos. Os habituais locais de protecção não existem, o que significa uma correria louca para fugir às armas adversárias. Para ajudar, basta o jogador ser atingido duas ou três vezes para ver a “saúde” ir embora. Por fim, a ajuda dos restantes companheiros virtuais de equipa é, por vezes, hilariante, pois disparam para todo o lado menos para os adversários. Para atenuar estes defeitos, a ideia de produzir poções que restauram a “saúde”, com as plantas recolhidas no planeta, está bem elaborada. Assim como o arsenal disponível, com armas para todos os gostos para quem escolhe o exército RDA e arcos, flechas e outras armas mais antigas na posse dos Na’vi. Pode parecer desequilibrado, mas a força que os Na’vi possuem ajuda a equilibrar a balança. Pelo caminho, há barcos e a viaturas que podem ser utilizadas, mas nada que chegue a ser tão entusiasmante como acontece em “Call of Duty: Modern Warfare 2”, onde esta vertente atinge o clímax total.

Onde o jogo não desilude é no aspecto gráfico. Os cenários estão fantásticos, com muita cor e luz, boas animações e personagens com muitos detalhes. As próprias criaturas que deambulam pelas selvas de Pandora assustam pelo aspecto e ajudam a dar um certo ar de thriller quando é necessário explorar os locais por onde andam. A banda sonora ajuda ao ambiente do jogo, mas os diálogos são fraquinhos e repetitivos.

Em suma, “James Cameron’s Avatar: The Game” é um produto que serve de “merchadising” ao filme e que pode apenas ter sucesso se for na enxurrada de êxito que a película de James Cameron tem mostrado em cinemas de todo o mundo. Caso contrário, não passa de mais um título entre milhares no mundo dos videojogos. Ou seja, acaba por ser um fraco avatar do filme.

The Saboteur – A arte de sabotar

Os cenários da II Guerra Mundial continuam a deslumbrar os produtores de videojogos. Volta não volta, eis um título que tem como pano de fundo os nazis a moerem o juízo dos aliados. Em “The Saboteur”, volta esta dicotomia, mas com algumas inovações interessantes. Em primeiro lugar, estamos perante um jogo de acção e aventura passado na terceira pessoa, deixando de lado os tradicionais First Person Shooter. Isto significa que, para além da destreza física, é necessária destreza mental para ter sucesso nas missões que se avizinham. Em segundo lugar, a história, que podia muito bem ser um argumento de um qualquer filme de época.

O jogador vai vestir o papel de Sean Devlin, um irlandês de mau feitio, mulherengo e que pouco ou nada sabe do movimento nazi que pretende dominar o mundo. Sean é piloto de carros de corrida, mas numa prova disputada com o seu grande adversário, o alemão Kurt Dierker, este acaba por ganhar de forma pouco ortodoxa. Sean e o amigo Jules juram vingança, mas Jules acaba por ser morto em circunstâncias misteriosas, em Paris. Sean consegue fugir, mas começa a ganhar a noção do que é o movimento nazi. É aqui que o jogador entra na acção. Sean surge num cabaré, o Belle, cheio de jovens atraentes que fazem as delícias dos oficiais nazis, e acaba por ser recrutado pela Resistência francesa, que já o vinha observando há algum tempo. Passa a ter Luc, um elemento da Resistência, como companheiro de algumas missões, algumas delas bem complicadas.

Tal como já foi referido, a narrativa dava um filme, sendo talvez o melhor elemento do jogo, pois envolve o jogador desde o início e mostra o desenvolvimento da personagem ao longo da acção. A mecânica do jogo passa por completar diversas missões, sempre com o objectivo de sabotar as intenções dos alemães. Estas missões são variadas e podem exigir combates corpo-a-corpo, sniper, guerrilha, demolições, entre outras. Existem inúmeras opções de fazer crescer o dinheiro para efectuar upgrades ou simplesmente efectuar algumas acções que promovem melhoramentos directamente. Num estilo mais arruaceiro, Sean não pode perder a oportunidade de alvejar oficiais alemães, destruir torres ou holofotes ou mesmo os altifalantes que vomitam a verborreia nazi. Por outro lado, Sean pode ainda roubar material de contrabando dos nazis que lhe irá permitir melhorar o seu arsenal ou ganhar novas habilidades. 

Uma das vertentes inovadoras e muito bem trabalhada no jogo são as corridas. Aproveitando o passado de Sean, algumas missões passam por corridas, sendo possível melhorar os carros que tem na garagem, além de poder renovar o stock, roubando carros aos nazis, com uma indicação precisa no cenário do local onde se encontram. Apesar de Sean não ser o rei da subtileza, tal o seu feitio irascível, durante o jogo terá de mudar o seu comportamento. Existe um indicador que mostra o quanto as forças nazis desconfiam das acções de Sean quando está junto delas. Se o indicador andar no amarelo, o melhor é parar o que estava a fazer, como por exemplo andar com uma arma visível ou condução mais agressiva. Se o indicador passar a vermelho, está tudo estragado, pois os nazis dão o alarme e vão perseguir Sean sem piedade. Este terá que fugi para além do raio vermelho que delimita o perímetro onde os nazis o vão perseguir ou chegar a um dos esconderijos da Resistência espalhados pelos cenários. Ou seja, passar despercebido é o melhor ao longo do jogo e a melhor arma de Sean.

O aspecto gráfico é também uma boa surpresa. Paris está bem detalhada, o mapa é gigantesco, existe liberdade de movimentos e há muito para fazer, seja nas missões, seja simplesmente em actos livres para fazer upgrades. A cor é um elemento fundamental neste jogo, pois quando ela não existe significa que os nazis dominam aquele local, mas se a Resistência estiver presente em peso, o cenário ganha cor e existem menos tropas inimigas. O som poderia estar bem melhor, tal como os diálogos que não ajudam muito a boa narrativa por detrás do jogo.

“The Saboteur” foi o último jogo produzido pela extinta Pandemic, mas acaba por ser uma agradável surpresa, com uma mecânica de jogo interessante, boa história e cenários que, apesar de não serem o melhor que há nesta indústria, são enormes e com muita para fazer.

Left 4 Dead 2 – O regresso dos zombies

Neste final de ano de 2009, os melhores jogos atropelam-se, tal a quantidade e qualidade, para gáudio dos jogadores. O cliente que se segue, “Left 4 Dead 2”, teve no original um dos melhores títulos de 2008. Quando a Valve, produtora do jogo, anunciou uma sequela, o mínimo que se pedia era manter a qualidade e os atributos que fizeram do primeiro jogo, um dos grandes divertimentos dos videojogos no ano transacto. Felizmente, a Valve seguiu a mesma receita e acrescentou-lhe mais alguns deliciosos ingredientes e “Left 4 Dead 2” volta a ser candidato a um dos melhores jogos do ano.

Para os menos conhecedores desta série, tudo gira em torno de zombies e outras criaturas assombrosas que vagueiam pelos EUA. O mais interessante é o papel que o jogador vai desempenhar. Não há cá forças especiais, soldados treinados, nem exércitos fortemente armados. Existem quatro personagens à escolha com profissões pouco vocacionadas para a caça aos zombies, como é o caso de Rochelle, produtora de televisão, Ellis, mecânico, Coach, como o nome indica é treinador de futebol americano, e Nick, que o mais próximo que tem de profissão é ser vigarista. O jogador irá escolher uma destas personagens, enquanto as outras três ficam a cargo do computador. Depois, sempre em acção cooperativa, inicia-se um FPS cheio de movimentação e que vale pela diferenciação dos habituais palcos de guerra tradicional.

O modo campanha é composto por cinco momentos distintos. Cada um deles é apresentado como se fosse um filme, que, por sua vez, é dividido em cinco partes diferentes. A parte final de cada filme é uma verdadeira matança de zombies e outras criaturas. Eles surgem às paletes, de todos os lados e o botão esquerdo do rato não tem descanso. É disparar enquanto há munições. Ao mesmo tempo, surgem adversários mais complicados, com poderes mais específicos e temíveis, que dificultam a tarefa dos nossos heróis acidentais. Mais uma vez, convém lembrar que este é um jogo de equipa e não para heróis com grande ego. Se o jogador ajudar os companheiros desta demanda contra os zombies, eles também o irão ajudar. São eles que podem ressuscitar a nossa personagem quando tudo já parece perdido. Por outro lado, ajudam em algumas pequenas missões, onde é necessária mais estratégia e menos força bruta. Já os zombies e seus “partneires” têm diversas formas de eliminar a nossa personagem, estando no seu menu estrangulamentos, explosões ou um simples tiro.

Outra boa diferença deste FPS está nas armas disponíveis. Em vez de armas presentes em exércitos verdadeiros, temos um arsenal pouco convencional, para não dizer pior. Desde frigideiras até tacos de basebol, tudo serve para arrear nos zombies. Naturalmente, também estão disponíveis as habituais pistolas, espingardas e metralhadoras, mas, por vezes, uma frigideira pode dar muito jeito numa situação mais furtiva.

O melhor de “Left 4 Dead 2” continua a ser o modo multiplayer. É aqui que o jogo atinge todo o seu esplendor, com diversos modos que dão panos para mangas. Primeiro, as novidades. O modo “realismo” coloca o jogador num cenário hipoteticamente real. Se esta invasão de zombies acontecesse, como seria? Mais difíceis de matar, em maior número e com menos ajuda dos nossos companheiros de matança, é a resposta à questão. O outro modo novo, “busca”, é um desafio á paciência. Quatro jogadores sãos buscam uns recipientes com combustível para um gerador, enquanto quatro jogadores infectados tentam destruir os recipientes. Estes estão mais bem escondidos que um tesouro de piratas e, para ajudar à festa, existe um tempo limite para os encontrar. Depois existem os restantes modos, que já estavam presentes no primeiro jogo, como o “sobrevivência”, “campanha online” e o “versus”.

Outro ponto positivo é o aspecto gráfico. Notam-se melhorias em relação ao título anterior, com cenários ainda maiores e mais bem detalhados. As personagens têm animações convincentes, enquanto o motor de jogo mostra saúde nas habituais pazadas de zombies que surgem no ecrã. A ajudar, está uma banda sonora que nos faz arrepiar a espinha, como seria de esperar neste tipo de jogo. “Left 4 Dead 2” é mesmo um dos melhores FPS’s do ano para PC, pela sua jogabilidade inovadora, uma história razoável e um poderoso modo multiplayer, dos melhores que existem neste género de jogos.

Ratchet & Clank: A Crack in Time – Balbúrdia na galáxia

A longevidade de uma série tende, muitas vezes, a torná-la monótona e com défice de qualidade. “Ratchet & Clank” tem feito um percurso inverso. Ou seja, com a chegada à PS3, a série refinou-se, melhorou ainda mais os enredos por detrás da acção, ganhou novas qualidades gráficas e manteve a aura de jogo divertido e movimentado. Está como o vinho do Porto. A prova está no último “Ratchet & Clank: Tools of Destruction” ter sido o melhor jogo da série, título que já não ostenta, pois “Ratchet & Clank: A Crack in Time” consegue ainda ser superior ao seu antecessor.

Quem não está familiarizado com a história desta dupla, eles vagueiam pelo universo combatendo o temível Dr. Nefarious, o arqui-inimigo de Ratchet e Clank. O enredo desta sequela está ligado a “Ratchet & Clank Future: Quest of Booty”, uma espécie de história de ligação entre os dois títulos para a PS3, que esteve apenas disponível para download. Tudo começa com uma explicação dos factos passados e, de seguida, o jogador é inserido na narrativa. Clank continua desaparecido e Ratchet navega por toda a galáxia em busca do seu inseparável amigo. Com ele viaja o Capitão Qwark, uma espécie de ajudante que não ajuda muito, pois a coragem não é a sua melhor virtude. Pelo meio, o Dr. Nefarious continua a fazer das suas, procurando dominar o universo com as suas ideias megalómanas. Fez um acordo com os Zoni, uma espécie de seres voadores, que mantém Clank como refém, mas também eles vão ser traídos pelo inimigo número de Ratchet e Clank. Tal como no título anterior, continuam a existir revelações sobre a vida dos dois heróis, desta vez com destaque para a paternidade de Clank. A Insomniac, produtora do jogo, está uma vez mais de parabéns, ao criar uma narrativa com cabeça, tronco e membros, mantendo o interesse até ao fim do jogo.

A mecânica de jogo mantém-se afinada. Explorar os diversos puzzles e enigmas em cada plataforma, explorar os vastos cenários e entrar em combates, com armas só mesmo vistas neste universo habitado por Ratchet e Clank. A capacidade mental pertence a Clank. É ele que resolve os puzzles, através da gravação de movimentos que, mais tarde, vão servir para abrir outras portas e ultrapassar novos obstáculos. Tem ainda a capacidade de reduzir a velocidade do tempo, numa espécie de “slow motion” que permite ajudar a desviar-se de balas ou explosões. Já a vertente de combate pertence a Ratchet. Com a sua nave, vai ser possível explorar um sem número de pequenos planetas, ajudar outros viajantes do espaço, fugir aos artefactos do Dr. Nefarious e, claro, entrar em muitos combates. O arsenal é enorme e diverso, com algumas novidades. Uma arma feita a partir de uma rã, em que as munições são gritos de acasalamento que dão um valente coice aos inimigos, atirando-os para longe; minas de criogénio que deixamos inimigos congelados; espinhos que são colocados no solo e electrificam os inimigos; uma estranha arma de parafusos com plasma e que permite identificar os pontos fracos dos inimigos. Para além destes novos brinquedos, estão presentes todas as armas que já fizeram as delícias dos fãs da série, e ainda diversos gadgets, como botas gravitacionais ou a já famosa chave-inglesa. Como se ainda não bastasse, existem diversos itens que podem ser recolhidos nos vários cenários, que permitem efectuar upgrades a algumas armas.

O aspecto visual é também uma das razões do sucesso da série. Com a chegada à PS3, as melhorias foram notórias e “Ratchet & Clank: A Crack in Time” mantém uma qualidade gráfica elevada. A enorme palete de cores dos cenários, a imensidão dos mesmos, os detalhes, as explosões, as animações dos personagens principais, tudo foi trabalhado com grande competência. O motor de jogo porta-se muito bem quando surgem no ecrã hordas de inimigos, outro bom aspecto que se mantém. Ao mesmo tempo, existe uma boa banda sonora e diálogos bem construídos. A câmara do jogo podia estar melhor colocada, pois em algumas situações a visibilidade torna-se complicada. Falta ainda um pouco mais de IA nos adversários, sendo os bosses os únicos ossos duros de roer.

 

“Ratchet & Clank: A Crack in Time” é mesmo o melhor jogo da série, com muita movimentação, uma longevidade considerável, tal as inúmeras tarefas a cumprir, mas continua sem uma vertente fundamental em qualquer jogo actual, um modo multiplayer.

LittleBigPlanet – O regresso de Sackboy

Quando o ano passado a PS3 recebeu “LittleBigPlanet” a impressão que ficava era, porque não está também presente na Playstation Portable, pois tem todas a características para singrar nesta consola? Passado um ano, eis que Sackboy, a personagem principal deste universo, chega às mais pequenas consolas da Sony. Contudo, a conversão dos jogos da PS3 para a PSP nem sempre tem sido feliz. Contudo, os últimos títulos de maior sucesso que chegaram à PSP, como é o caso de “Motorstorm Artic Edge”, mostram que se podem fazer bons jogos para esta consola. E “LittleBigPlanet” é outro bom exemplo.

A mecânica de jogo não muda em relação ao original. Num mundo onde as personagens são feitas de malha, há muito para explorar, jogar, fotografar e partilhar. Num sistema de plataformas, a nossa personagem, o inconfundível Sackboy, explora um maravilhoso mundo de malha, sempre com obstáculos por ultrapassar. Antes de entrar em acção, muito há para personalizar, tal a quantidade de itens à escolha para fazer um Sackboy único. As novidades passam por novos temas e novos locais por onde é possível correr, saltar em busca dos inúmeros itens espalhados pelos vários cenários. Ao mesmo tempo, somos envolvidos em competições, com particular destaque para uma corrida de tapetes voadores que, só pela originalidade, já desperta o apetite para entrar nesta aventura. Se na versão para PS3 um dos segredos do sucesso do jogo em Portugal foi a presença de Nuno Markl, eis que o famoso autor está de volta. Os seus comentários são sempre uma lufada de ar fresco e encaixam na perfeição no espírito do jogo. Uma palavra para os comandos, bem mais intuitivos que na PS3, facilitando a vida aos “rookies” deste título.

O que mais falta vão sentir os fãs de “LittleBigPlanet” é o modo cooperativo para dois jogadores. Se na PS3, a aventura ganhava novas dimensões quando dois jogadores viajavam pelo mundo de Sackboy e se ajudavam mutuamente na recolha de itens ou na resolução de enigmas, na PSP não vai ter esta sensação. Apesar de a PSP ser uma consola com uma vocação mais solitária em termos de jogabilidade, a inclusão deste modo poderia ainda melhorar mais este título e torná-lo ainda mais atractivo. Quem sabe numa próxima oportunidade.

O que não foi esquecido foi o sentimento de partilha que já existia na versão original. Criar e partilhar estão de novo em foco em “LittleBigPlanet”, com o editor de níveis, o que torna a longevidade do jogo quase infinita. Mais uma vez, os itens recolhidos no modo história servem para a criação de novos níveis e, posteriormente, podem ser partilhados com a comunidade. Como esta é enorme, o número de níveis atinge dimensões assustadoras. Todos querem experimentar algo novo, criado pelos próprios jogadores de “LittleBigPlanet”. No fundo, acaba por ser um novo jogo criado pela comunidade, através da Playstation Network.

O aspecto visual também merece rasgados elogios. Ao contrário de muitos títulos que chegam à PSP com uma qualidade gráfica duvidosa, pois as preocupações estéticas para esta consola, por vezes, são esquecidas, “LittleBigPlanet” é diferente. A Media Molecule, produtora do jogo, foi meticulosa e conseguiu animações e texturas de boa qualidade. Os novos temas mostram o cuidado da produtora em criar algo de novo e com boa qualidade visual, em vez de fazer uma simples transposição de uma consola para outra.

Em resumo, tal como o ano passado foi um dos melhores, senão o melhor, jogo para a PS3, “LittleBigPlanet” é, sem dúvida, o melhor título para a PSP deste ano e, arrisco mesmo a dizer, um dos melhores que alguma vez foi produzido para as pequenas consolas da Sony. Com a integração do modo para dois jogadores fica perto de ser um jogo perfeito, algo que é sempre difícil de avaliar, mas que “LittleBigPlanet”, na vertente PSP, corre o risco de lhe acontecer.

Call of Duty: Modern Warfare 2 – Guerra ao terrorismo

A chegada de “Call of Duty 4: Modern Warfare” teve reacções distintas. Por um lado, a série “Call of Duty” deixava, pela primeira vez, os palcos da II Guerra Mundial e entrava nos modernos combates de guerrilha, operações especiais e captura de terroristas, numa mudança que se saudava. Contudo, os mais puristas da série estavam de pé atrás com esta mudança de época e armas. Quando o jogo finalmente chegou aos fãs, ficou apenas uma ideia generalizada, o jogo era dos melhores FPS alguma vez produzidos, com mais de dez milhões de cópias vendidas. O regresso à II Guerra Mundial em “Call of Duty: World at War” mostrou que os tempos áureos desta grande guerra já passaram e que os cenários actuais são o que os amantes dos FPS querem ver, como são o caso do Afeganistão, Médio Oriente ou América Latina.

 

“Call of Duty: Modern Warfare 2” traz de volta toda a acção do primeiro título, mas para melhor. Pode dizer-se que esta nova sequela divide-se em três partes, infelizmente nem todas com a mesma qualidade. No modo campanha, a Infinity Ward, produtora do jogo, mostra que contar histórias não é o seu forte. O jogador pode assumir o papel de quatro diferentes personagens, o sargento Gary Roach Sanderson, Soap MacTavish, Ghost e Joseph Allen, que pertencem à Task Force 141. Consoante as missões, o jogador assume o papel de uma destas personagens, mas nota-se que falta um fio condutor entre todas elas. No geral, Makarov, um tirano russo, domina agora o seu país e, como se não bastasse, resolve invadir os EUA. A missão do jogador é assistir aos acontecimentos anteriores à invasão e participar na defesa do país quando este é atacado, para além, claro está, de tentar eliminar Makarov.

O grande interesse no modo campanha está na acção e intensidade das missões. Se a opção recair pela forma “meia bala e força”, pouco mais de 5 horas são suficientes para completar este modo. Mas, se a opção recair num estudo mais aprofundado dos espectaculares cenários, então pode perder mais algumas horas. Destaque essencialmente para duas missões, Rio de Janeiro e a Invasão dos EUA. A primeira assombrosa pelo destaque da favela onde decorre a acção, com elementos de uma milícia a surgirem de todos os cantos, tectos, portas e estreitas ruas, com diálogos em português em fundo e o Cristo Redentor a assistir a toda esta violência. A invasão junto à capital Washington DC, é assombrosa pelo número de forças envolvidas, num tiroteio frenético, sem espaço para respirar. Quanto à já famosa missão num aeroporto, onde o jogador assume o papel de um elemento integrante da equipa de Makarov, para ganhar a confiança do mesmo (algo que acaba mal…), era desnecessária. A barbárie aqui mostrada podia ter sido evitada, apesar dos avisos antes do jogador entrar na acção.

A segunda parte é uma novidade. Special Ops introduz o jogador num novo modo, com várias missões, onde o objectivo é completá-las em contra-relógio, pois só assim consegue desbloquear as missões seguintes. Para tal, pode ter a ajuda de outro jogador, num modo cooperativo muito interessante, em jogo local ou via on-line. Se for daqueles jogadores que gosta de fazer tudo sozinho, também é possível escolher essa opção.

Para o fim, fica o melhor. O modo multiplayer é quase um jogo único em “Call of Duty: Modern Warfare 2”. Está ainda melhor que no jogo original, sendo onde se nota melhor a evolução do motor de jogo. Existe um modo on-line, LAN, ecrã dividido e privado. De todos, o on-line é, por si só, um jogo único, com sistema de pontuações, rankings, ganho de experiência para desbloquear outros modos, entre muito mais. Existem 16 mapas diferentes, com gráficos assombrosos, que podem comportar até 18 jogadores em simultâneo e quase com ausência total de lag nas ligações.

A avaliação final do aspecto gráfico é quase desnecessária. Com evoluções no motor de jogo assinaláveis, os cenários são fantásticos, com particular destaque para o Rio de Janeiro, as animações muito boas e os detalhes das personagens assustadoramente realistas. O arsenal é mais que muito, com pistolas, metralhadoras, espingardas ou lança missais à escolha, enquanto é possível conduzir motas de neve, numa fuga emocionante por uma montanha abaixo. A banda sonora, com o dedo de Hans Zimmer, responsável por algumas obras de arte no cinema, acompanha toda esta envolvente na perfeição.

“Call of Duty: Modern Warfare 2” é, sem dúvida, um dos melhores FPS alguma vez produzidos e deve ser o caminho a seguir no futuro. Acção electrizante, palcos actuais, teorias da conspiração e um realismo que faça o jogador ter a sensação que está mesmo dentro de uma acção que é passível de acontecer em qualquer canto do mundo.

 

 

Brütal Legend – Rock medieval

Um parto difícil, é a primeira impressão que se pode ter sobre “Brütal Legend”. Antes de chegar à Electronic Arts, este título andou pelas mãos da Sierra, produtora que entretanto fechou as portas, tendo a Activision, que assegurou o catálogo da Sierra, abandonou o projecto “Brütal Legend”, por não acreditar no seu potencial. De facto, começou por ser um jogo de estratégia em tempo real, mas acaba por ser uma aventura em “open space”, em que mistura elementos da época medieval com o melhor do heavy metal. Quando se pensava que esta combinação, associada a uma atribulada produção, iriam dar origem a um péssimo título, eis que a surpresa final é bastante agradável.

Mais do que um jogo, “Brütal Legend” é uma boa história, muito por culpa de Tim Schafer, responsável por êxitos como “The Secret of Monkey Island” ou “Full Throttle”. Outro nome de peso neste jogo é o comediante e músico Jack Black que dá voz ao personagem principal, Eddie Briggs. Considerado o melhor “roadie” do mundo, ele é o responsável pela montagem e organização dos melhores concertos de heavy metal. Contudo, não anda nada satisfeito com o actual rumo da música, em que tendências mais vanguardistas estão a matar o puro heavy metal. Depois de sofrer um acidente, Eddie acorda num mundo de fantasia, que parece ter sido tirado de algumas capas de álbuns de bandas famosas como os Manowar. Eddie está agora no Mundo do Metal e terá de salvar os seus ídolos de dois estranhos inimigos, Lionwhyte e Doviculus. O primeiro representa o lado mais soft do heavy metal com uma cabeleira loura de tal modo farfalhuda que é capaz de voar, enquanto o segundo identifica-se com a vertente mais hard deste tipo de música.

A mecânica de jogo não é muito complicada, mas envolve algumas características diferentes do habitual. Sendo um jogo de aventura, nada melhor que um cenário de grandes dimensões e de livre exploração. O jogador dedica-se essencialmente à tarefa que tem em mãos, como conduzir ou tocar um instrumento, consoante os objectivos da missão que tem em mãos. A proximidade do jogador a estas missões é grande, obrigando o jogador a não se dispersar pelo cenário. Por outro lado, as missões podem ser escolhidas, existindo dois tipos, as que estão ligadas directamente ao desenvolvimento da narrativa e as que são secundárias e servem apenas para amealhar ganhos.

Destaque para uma arma muito particular, a guitarra, que além de dar música, possui poderes especiais, mas onde é necessário alguns conhecimentos musicais. Existe ainda uma divertida vertente de estratégia, em que Eddie é responsável pela organização de concertos e que servem para combater os inimigos das estrelas de heavy metal, numa espécie de combate entre palcos. A mesma estratégia é utilizada no modo on-line, com a diferença que são equipas de 4 jogadores que combatem entre si.

A nível gráfico, “Brütal Legend” é de extremos. Os cenários não primam pela diferença, nem por qualidade elaborada. Contudo, as excelentes animações das personagens, bem como os detalhes destas últimas rapidamente nos fazem esquecer a primeira impressão menos boa. Por outro lado, o som e a banda sonora são um dos pontos altos do jogo. Com diálogos deliciosos, devido a um enredo de qualidade, tudo é ainda melhor devido á utilização das vozes de grandes nomes do heavy metal. Assim, Lionwhyte é Rob Halford (Judas Priest), Guardian of Metal é Ozzy Osborne (Black Sabbath) ou Kill Master, que é Lemmy Kilmister (Motorhead). Destaque ainda para a presença do actor Tim Curry que dá voz ao vilão Doviculus. A banda sonora é formada por 107 músicas dos grandes nomes do heavy metal. Só para abrir o apetite, alguns dos temas incluídos são “Still of the Night”, dos Whitesnake, “The Beautiful People”, de Marilyn Manson, “Die For Metal”, dos        Manowar ou “High Speed Dirt”, dos Megadeth.

“Brütal Legend” é um jogo de culto para os fãs do heavy metal, mas não deixa de ser uma excelente aventura para quem gosta do género, com uma boa história, animações interessantes e um nível sonoro de grande qualidade.

Buzz!: Concurso Universal – O jogo da sabedoria

A disputa de conhecimentos de cultura geral nunca foi tão acesa como actualmente. A culpa está na dimensão que o fenómeno “Buzz!” ganhou à escala mundial. Um pouco por todo o mundo, todos querem mostrar os seus conhecimentos, demonstrar que sabem mais do que o irmão, o pai, a namorada ou o amigo. Ou mesmo, disputar combates mentais, via on-line, com “génios” de todo o mundo. Mais do que um jogo, a série “Buzz!” é uma escola de cultura geral, onde se à primeira não se sabe a resposta, à segunda já não se esquece. Ao mesmo tempo, a Relentless Software, produtora do jogo, não ficou à sombra do êxito, e vai renovando a série de uma forma regular, sempre com questões novas e adições de jogos ou personagens inéditas.

Em Portugal, o êxito do jogo muito se deve ao apresentador Jorge Gabriel. É ele que continua a dar voz ao Buzz português, sempre pronto a disparar piadas aos concorrentes mais fracos. E com a proliferação de concursos de cultura geral na televisão, não é de estranhar que a série “Buzz!” seja uma das mais vendidas no país.

Em relação a “Buzz!: Concurso Universal”, registam-se algumas novidades em relação a outras edições do jogo/concurso. Para começar, mais de 5 mil novas perguntas na versão para a PS3, factor fundamental para qualquer nova reedição de Buzz e também um dos segredos do sucesso. Este é também o jogo com mais questões relacionadas com Portugal, algo que já tinha sido alvo de algumas críticas em edições anteriores. Agora, já é possível testar alguns conhecimentos da cultura portuguesa. Quanto aos temas, variam entre Desporto, Cinema, Celebridades, entre muitas outras, existindo sempre quatro à escolha antes de cada ronda, em que o último classificado tem o “privilégio” de escolher o tema.

Nos modos de jogo, há escolha para todos os gostos. No “Jogar um Jogo” podem escolher-se várias opções. Pode escolher-se a ronda seguinte no “Escolher ronda”, optar pelas rondas mais alucinantes do “Buzz!”, no “Rondas Loucas”, adoptar uma postura séria de competição no “Rondas sérias”; um contra-relógio de conhecimento no “15 minutos” ou uma maratona, no “45 minutos”. É ainda possível optar por personalizar totalmente o jogo que se deseja fazer. A vertente on-line está cada vez melhor. Para além da possibilidade de jogar em equipas de 4 contra 4, os jogadores podem efectuar o download de “quizzes” no “MyBuzz” ou criar esses mesmos “quizzes” e disponibilizá-los para todo o mundo. Para quem esgotar os seus conhecimentos nas novas questões, pode comprar novas perguntas no Playstation Store.

Quanto às rondas não existem muitas inovações, destacando-se a ronda onde existe uma piscina de lodo, o que torna tudo mais competitivo. Quanto ao resto, encontramos a habitual Luta de Tartes ou o Passa a Bomba, terminando tudo na Contagem Final, onde os pontos são convertidos em tempo e ganha quem aguentar mais tempo, como quem diz, o que acertar em mais respostas e for mais rápido.

Existe agora uma maior personalização do jogador. O verborreico apresentador dirige-se agora ao concorrente pelo nome e aproveita algumas características do mesmo para lançar as suas piadas. Em termos gráficos, nota-se uma melhoria no detalhe das personagens e do próprio palco, conferindo ainda mais emotividade ao concurso. As piadas continuam em nível elevado, o público reage às mesmas e o ambiente é agora mais de concurso e menos de jogo de tabuleiro. “Buzz!: Concurso Universal” é o típico jogo de inverno para a família, uma evolução em relação às edições anteriores e mostra uma vertente on-line mais desenvolvida e que deve ser a aposta de futuro da produtora do jogo.

Uncharted 2: Among Thieves – O melhor do ano

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Falta pouco mais de um mês e meio para o término de 2009. Mas, pode afirmar-se sem dúvida alguma, “Uncharted 2: Among Thieves” é o título maior deste ano, sem desprimor para os restantes jogos. Já quando Nathan Drake, o herói desta série, surgiu pela primeira vez em “Uncharted: Drake’s Fortune”, os elogios ao trabalho da Naughty Dog, a produtora do jogo, tinham sido vários. A segunda aventura da série vem apenas confirmar que estamos perante uma personagem que vai ficar para a história dos videojogos.

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Tudo o que o primeiro jogo da série tinha de bom, está também aqui presente, mas ainda melhor e com outras alterações de qualidade. Comecemos pela história. Nathan Drake, para quem não conhece a personagem, é uma espécie de Indiana Jones mais novo. Desta vez, o alvo da sua demanda é Shangri-La, uma mítica cidade que esconde grandes riquezas. Nathan irá seguir as pistas que levaram Marco Polo atrás deste mesmo tesouro, passando por inúmeros cenários, como selvas, cidades ou as montanhas geladas do Nepal. Vai encontrar muita traição, aventura e acção. É aqui que começa o fascínio deste jogo. Uma narrativa bem construída, ao nível de um argumento cinematográfico, com diálogos deliciosos, cut-scenes de grande qualidade que inserem o jogador na acção. Enfim, parece uma grande produção de Hollywood, mas em formato de jogo.

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Outro dos grandes trunfos de “Uncharted 2: Among Thieves” é a jogabilidade. Entre combates com adversários, seja corpo-a-corpo ou com recurso a armas, e resolução de enigmas e ataques furtivos, existe de tudo um pouco e bem doseado. O que mais impressiona é o ritmo da acção e as surpresas que nos revelam. É difícil ter um momento morto para pensar duas vezes, logo as decisões têm que ser tomadas em segundos, pois não há tempo a perder. Ao avançar na acção, nunca se sabe o que vai suceder ou surgir para lá de uma porta ou esquina. O jogador pode esperar tudo. É este elemento de surpresa e suspense que agarra o jogador. Se a opção recair em recolher todos os itens espalhados pelos cenários e explorar estes ao máximo, temos aventura até perto das 20 horas, podendo diminuir para cerca de 15 se a opção recair por uma acção mais linear e com menos exploração.

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A evolução gráfica, em relação ao título original, é também notória, apesar do primeiro jogo já ter apresentado gráficos que foram bastante elogiados. As personagens estão detalhadas até ao mais ínfimo pormenor. Nathan sofre um pouco de tudo nesta acção, com destaque para as imagens iniciais, onde surge ferido depois de um espectacular acidente de comboio, uma cena que vai ficar na história dos videojogos. Depois, o carisma, a humanidade, até mesmo a sensibilidade perante outros personagens, fazem de Nathan uma personagem única. Terá ainda à perna duas belas mulheres, Elena, que regressa da primeira aventura, e a bela morena, Chloe Frazer, que vai ser uma preciosa ajudante de Nathan. Os cenários são outra maravilha deste jogo. A luz, a cor, os detalhes, tudo está desenhado na perfeição. As animações são assombrosas, com particular destaque para as personagens principais, autênticos seres humanos desenhados. Até as mudanças de câmara deixam a sensação de estar a interagir com um filme e não a desfrutar de um videojogo. Até a banda sonora nos faz lembrar um épico do cinema.

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A grande novidade deste segundo jogo está na inclusão de um modo on-line. E aqui, “Uncharted 2: Among Thieves” torna-se no jogo que nunca sairá da nossa consola. No modo competitivo, existem modos para todos os gostos, como são o caso de “combate mortal”, “eliminação”, “saquear” e “reacção em cadeia”. Este último foi responsável por várias horas de sono perdido, onde a interacção com uma equipa, permite ir ultrapassando os obstáculos, ganhar dinheiro e comprar novos itens. Existe um sistema de ranking que serve para desbloquear os vários itens, à medida que se vai subindo no ranking. Existe ainda o modo cooperativo, onde o jogo de equipa é fundamental, e a arena cooperativa, onde surgem inimigos aos magotes e, em equipa, procura-se eliminá-los antes que nos eliminem a nós.

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Destaque ainda para a interacção com o Twiter, que mostra a evolução do jogador na acção e quando está on-line. “Uncharted 2: Among Thieves” pela história, humor, jogabilidade, qualidade gráfica e modos on-line é o melhor jogo de 2009 e vai fazer perder muitas horas de jogo aos verdadeiros fãs de jogos de aventura e acção.

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Tekken 6 – Luta pelo poder

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Começou por ser um jogo exclusivo da Playstation, mas à sexta edição expande-se até à rival Xbox 360. Esta é a principal novidade de “Tekken 6”, sinónimo de qualidade de jogos “beat’um up”, mas que este ano tem uma concorrência muito forte de “Virtua Fighter 5”. Como tal, a Namco Bandai procurou produzir um jogo com mais novidades em relação aos últimos títulos da série, até porque este é o primeiro desenvolvido para duas consolas da nova geração.

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A história do jogo fala de traição e vingança. Heihachi Mishima regressa com vontade de vingar-se do neto, Jin, que controla a empresa da família, a Mishima Zaibatsu, mas que tem planos megalómanos para concretizar. Ao mesmo tempo, Kazuya, filho de Heihachi, é o rival de Jin, através da sua empresa, a G Corporation, e pretende derrotar Jin para adquiri poderes sobrenaturais. Surge então o sexto torneio de artes marciais, promovido por Jin, para de uma só vez livrar-se de todos os adversários.

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Esta é a história do modo Scenario Campaign, que introduz duas novas personagens, Lars Alexandersson e Alisa Bosconovitch, sendo o mais interessante, pois permite angariar dinheiro e recolher itens para melhorar desempenhos. Ao mesmo tempo, dá acesso ao The King of Iron Fist Tournament, que irá desbloquear todas as histórias relativas a cada personagem. Destaque ainda para o vídeo que mostra o início da história, um bom exemplo de Anime. O pior é quando se defronta um boss e surge a derrota, pois é necessário começar tudo do início. Os restantes modos já carecem de algum interesse, devido à falta de inovação. A Namco Bandai não introduziu qualquer novidade neste aspecto, mantendo os habituais Ghost, Team, Battle, Time Attack e Survival. Na vertente on-line, mantém-se as lutas para subir no raking ou apenas o combate simples.

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Nas personagens, a apreciação é positiva. São 40 e com muito por onde escolher. É difícil encontra duas com o mesmo estilo de luta e todas têm particularidades muito distintas. Existem seis entradas novas no plantel, algumas bem interessantes. Lars Alexandersson é um dos mais importantes, pois vai liderar a revolta contra Heihachi Mishima, coadjuvado por Alisa Bosconovitch, metade mulher, metade máquina, com asas nas costas, moto-serras nos braços e a cabeça como granada. Um perigo. Depois existe um toureiro, Miguel, Bob, gordo, mas ágil, Leo, um típico miúdo mimado em busca de vingança, e Zafina, bela e mortal com os seus golpes temíveis. Todos eles são personalizáveis e podem ser melhorados através do dinheiro recolhido, talvez o aspecto mais interessante do jogo.

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Os combates não variam muito das últimas edições. O nível de dificuldade continua acessível a todo o tipo de jogador, não sendo necessário grandes estratégias para a vitória final. Os bosses dão mais trabalho, mas nada que muita persistência não leve de vencida. É possível efectuar vários combos, mas atenção ao momento em que os adversários estão no ar, momento ideal para desferir ataques, bem mais fáceis de concretizar.

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A grande desilusão de “Tekken 6” está na qualidade gráfica. Quando seria de esperar uma evolução significativa, eis que surge o contrário. Se as personagens apresentam níveis de detalhe interessantes, já os cenários são muito pobres. A ideia de combater entre ovelhas, por exemplo, é um pouco estranha e o cenário resulta num fracasso, pois a qualidade gráfica das texturas merece uma significativa evolução. Por outro lado, o exagerado tempo de carregamento do jogo já não faz sentido em consolas desta geração e desespera quem tem que gravar ou modificar algo no jogo.

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Em suma, esperava-se um pouco mais de “Tekken 6”. Até porque a saudável rivalidade com “Virtua Fighter 5” poderia ter ajudado neste campo. Contudo, o jogo mantém a característica que o tornou popular, a jogabilidade, para além de muitas personagens e uma história interessante. Quanto ao aspecto gráfico, necessita de ser melhorado rapidamente para uma futura sétima edição.

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Marvel Ultimate Alliance 2 – Heróis contra vilões

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O universo Marvel é um filão inesgotável de contexto para filmes e videojogos. Apesar de tudo, nunca nos videojogos nenhum jogo se tinha distinguido pela qualidade, apesar dos nomes conhecidos dos super-heróis e de um universo que sempre foi apreciado por milhões de pessoas em todo o mundo. Tudo mudou em 2006, quando surgiu “Marvel Ultimate Alliance”, título que reunia a fina flor de super-heróis e vilões, numa espécie de luta “all-stars” entre o bem e o mal. O jogo diferenciava-se por misturar dois géneros que se complementam, acção e RPG. Ao mesmo tempo, apresentava um aspecto gráfico muito interessante, superior à maioria dos jogos criados com base no universo Marvel.

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“Marvel Ultimate Alliance 2” é uma continuação do trabalho desenvolvido pela Vicarious Vision e a Activision, com poucas alterações ao nível da jogabilidade, mas com uma narrativa diferente. A acção situa-se na série “Civil War”, uma das mais prestigiadas da Marvel. No cerne da questão está o Superhuman Registration Act, levando ao combate duas facções, uma apoia o Pro-Registration e defende os interesses do país, e a outra contra-ataca, apelando à luta pelas liberdades individuais e denominando-se Anti-Registration. Para quem não está familiarizado com os livros da Marvel, o jogo apresenta diálogos explicativos e com possibilidades de escolha, deixando a opção ao jogador de lutar pela facção que desejar.

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Conhecida a história é hora de passar aos actos. Cada missão junta quatro super-heróis ou vilões em equipa, com a possibilidade do jogador controlar qualquer uma das quatro personagens em tempo real, ao mesmo tempo que é possível trocar, a qualquer momento, uma destas personagens. De um lado, podemos encontrar nomes como Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro ou Wolverine, enquanto na equipa dos vilões destacam-se Hulk, Venom ou o Duende Verde.

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Os combates são normalmente povoados por doses bem servidas de inimigos. A inteligência artificial do jogo faz uma boa gestão dos restantes três membros da equipa, enquanto o jogador assume o papel do outro membro. É aqui que surge uma das boas características deste jogo, a fusão de poderes. É possível combinar mais de 250 fusões, como por exemplo, as teias do Homem-Aranha, com o fogo do Tocha Humana, o que leva a fazer experiências entre os vários poderes até encontrar algum quase imbatível. A mecânica é relativamente fácil, pois basta apertar um botão para escolher qual o herói que o jogador deseja juntar à personagem que já controla e depois ver o resultado final.

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A vertente menos musculada deste título está no RPG. Apesar de não estar muito desenvolvida, algo a ser trabalhado pela produtora numa eventual próxima sequela, consegue conferir algum interesse extra ao jogo. Pontos que servem para ganhar ou reforçar habilidades, subidas de níveis e recolha de itens servem para melhorar o desempenho das personagens, ao mesmo tempo que os diálogos servem para efectuar escolhas no desenrolar da história, ao mesmo tempo que conferem pontos consoante as decisões tomadas.

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A nível gráfico, nota-se uma clara evolução em relação ao título original, com algumas melhorias no motor de jogo Alchemy. As personagens estão bem detalhadas e muito próximo do original, enquanto os cenários continuam a ser interactivos, em que carros, tanques ou o que esteja mais à mão de um herói ou vilão, podem servir de arma.

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O modo on-line foi também melhorado, com partidas cooperativas, que também podem ser jogadas off-line, em que um jogador pode entrar na acção a qualquer momento, em equipas de quatro jogadores. “Marvel Ultimate Alliance 2” recupera o que de melhor foi produzido no jogo original e junta-lhe algumas melhorias gráficas, sendo um jogo que já se destina para além da legião de fãs da Marvel. É já um título para quem gosta de um bom jogo de acção, com um cheirinho de RPG.

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